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"Sou completamente presa à minha liberdade de me ser"

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

“O seu olhar melhora... melhora o meu”

(Porque a pós-modernidade se faz com pastiches – Parte 2)

A literatura me melhora. Ela abre meu entendimento para as coisas da vida, abre meus olhos para a condição humana, me prepara para as situações inusitadas e me ajuda a não me assustar tanto com comportamentos diferentes. Sobre todas as coisas, ela me esclarece. E hoje eu posso entender o que Frida Kahlo quis dizer quando declarou: “sei que não há nada escondido; se houvesse, eu veria”.

Quando procuro uma explicação para o meu amor pela literatura, encontro a resposta na minha avó. Quando eu nasci, ela já era viúva. A cidade em que ela mora fica bem perto de Governador Valadares e, por isso, eu passava muitos finais de semana na casa dela, que era linda! Um quintal cheio de pés de manga e jabuticaba, uma escada onde eu adorava brincar de Show da Xuxa e, é claro, uma linda biblioteca. Como meu avô tinha morrido poucos meses antes de eu nascer, quando eu estava lá, sempre dormia com minha avó. E ela nunca dormiu sem ler. Quando eu aprendi, passava horas na biblioteca dela escolhendo qual livro eu leria para acompanhá-la. E foi assim que, aos poucos, minha avó me fez leitora e, consequentemente, me fez jornalista.

Meus pais nunca foram leitores. Mas eu, desde criança, brinco com a fantasia por causa da literatura. Penso que a viuvez da minha avó também contribuiu com isso em outra esfera: a lúdica. É que eu fui obrigada a crescer com as histórias sobre o meu avô, inventando-o a cada nova informação, a cada nova narrativa. Meu avô, para mim, sempre foi magia, absurdo, imaginação, ingredientes fundamentais para uma formação literária. E hoje, a literatura vai encaixando as minhas peças e me constrói. Ela me ajuda a viver, me faz temer insistentemente o pensamento medíocre e me melhora, melhora o meu olhar.

“Mais densa e mais eloqüente que a vida cotidiana, mas não radicalmente diferente, a literatura amplia o nosso universo, incita-nos a imaginar outras maneiras de concebê-lo e organizá-lo. Somos todos feitos do que os outros seres humanos nos dão: primeiro nossos pais, depois aqueles que nos cercam; a literatura abre ao infinito essa possibilidade de interação com os outros e, por isso, nos enriquece infinitamente. Ela nos proporciona sensações insubstituíveis que fazem o mundo real se tornar mais pleno de sentido e mais belo. Longe de ser um simples entretenimento, uma distração reservada às pessoas educadas, ela permite que cada um responda melhor à sua vocação de ser humano.”
(TODOROV, Tzvetan. A literatura em perigo. Rio de Janeiro: Difel, p.23 e 24)

4 comentários:

Anônimo disse...

Belo seu quarto amarelo, rs. Desculpe-me pelo trocadilho. Mas parabéns!

Depois dá um pulo no http://thaleca.blogspot.com e http://blognajanela.blogspot.com

Abraços, Thales Willian.

Rafaela disse...

Perfeito, Lígia! Para mim, a Literatura é uma ciência e se reinventa... sempre alicerçada nas origens. Talvez, por isso, sempre esteja lado a lado do Jornalismo. Ambas envolvem a arte das palavras... lembrei da Elen Geraldes...

Margot Félix disse...

É linda sua história de descoberta das veredas literárias. É ótima a citação de Todorov.

Gostei muito daqui e voltarei sempre, pois é sempre bom nos acompanharmos de pessoas que amam literatura.

Tenha uma ótima semana!

http://www.compartimentosecretopara.blogspot.com

Lígia disse...

Thales e Margot, sejam bem-vindos! Obrigada pelo carinho nos comentários!

Rafa,acho que vou deixar essa discussão jornalismo e literatura para um outro post, rsrsrs.

Abraços!

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